Pesquisa que circula: comunicação
científica, impacto e públicos ampliados. Ciência para quem?[1]
Dr.
Claiton José Mello
Universidade de Aveiro, Portugal
Proponho uma reflexão sobre os
públicos mais ampliados e que precisam da ciência, mas que muitas vezes, não
têm acesso ao conhecimento científico, ou este é negado. Assim, pergunto: a ciência
desenvolvida nas universidades, centros de pesquisa entre outros ambientes
acadêmicos serve para quem?
Inicialmente, apresento no quadro 1,
abaixo, como se configura a produção científica mundial, com a demonstração da
trajetória da produção científica entre os anos de 2000 a 2018, dados que foram
publicados na Revista Pesquisa FAPESP, edição 288, de fevereiro de 2020[2].
Quadro 1: Produção científica
global 2000/2018
Aqui interessa observar a posição
dos países em que há mais publicações científicas, estando a China em primeira
posição desde 2016, substituindo a posição dos EUA. No destaque, pode-se
observar a ascensão da produção brasileira, saindo de 16º colocacão, em 2005,
para a 11ª posição em 2018.
Esse movimento ocorrido no Brasil pode
ser justificado pelo impactado de políticas públicas na área de educação e pelo
aumento de investimentos nas universidades públicas; o estabelecimento da Lei
de Cotas no Ensino Superior, Lei nº 12.711/2012, como também pela maior
disponibilidade do Fundo de Financiamento Estudantil (FIES), e demais políticas
públicas, o que gerou aumento do número de estudantes também em universidades
privadas. Outro fator de impacto nas produções científicas brasileiras foi a
expansão da rede de institutos federais por todo o país, com cursos de
graduação e pós-graduação.
No quadro 1, conforme metodologia
desse ranking, é importante anotar que se trata de contagem fracionada,
que representa a fração de participação dos autores do país entre todos os
autores do artigo. Caso fosse a contagem inteira, seria considerado um artigo
para cada país representado entre os autores, podendo o artigo ser contado
diversas vezes, dessa forma o Brasil apareceria na 14ª posição. Outro destaque
vai para a Índia, que sai da 12ª em 2000, para a 3ª posição em 2018, fenómeno
também ligado ao crescimento económico, como veremos adiante.
Relação
Economia e ciência
No quadro 2, pode-se observar dois gráficos,
lado a lado. O primeiro apresenta a colocação dos 10 primeiros países por
geração de Produto Interno Bruto, porém, convertido em Paridade do Poder de
Compras (PIB/PPC), em 2024. Quer dizer, não se trata apenas do PIB nominal em
dólares, mas sim em Paridade do Poder de Compra (PPC), que ajusta as diferenças
nos níveis de preços entre países, permitindo que os números do PIB sejam
comparados de forma significativa entre nações, diferentemente do Produto
Interno Bruto (PIB) que é o valor monetário total de todos os bens e serviços
produzidos e vendidos dentro de um país durante um ano, conforme dados do Fundo
Monetário Internacional[3].
O segundo gráfico apresenta os 10
principais países por quantidade de artigos científicos publicados em
periódicos, em 2025. De acordo com essa Plataforma[4], que agrega conteúdo
abrangente sobre diversas áreas do conhecimento, são computados mais de 188
milhões de artigos publicados em diferentes revistas.
Quadro 2: Relação PIB / Produção
científica
Ao comparar os dois gráficos, de
modo geral, pode-se relacionar que o desenvolvimento econômico de um país está
fortemente vinculado com a capacidade de sua produção científica, apesar de não
figurar a Rússia e a França nesse ranking de 2025 e, ao mesmo tempo,
aparecer a Itália e a Turquia. Dessa forma, pode-se dizer que o desenvolvimento
das forças produtivas de um país possibilita o desenvolvimento tecnológico e o
desenvolvimento humano e social, na medida em que os ganhos econômicos gerados
pela sociedade sejam realmente redistribuídos. Porém, essa não é a regra geral,
a considerar as desigualdades na distribuição de renda dentro dos países.
A
riqueza não é distribuída para todos, nem mesmo a ciência é dedicada para todos
No quadro 3, abaixo, é possível
observar as informações e números apresentados pela OXFAM Internacional[5], uma organização não
governamental que atua em mais de 90 países, e produz diversos relatórios sobre
a desigualdade, sendo o principal aquele apresentado anualmente nas
conferências paralelas ao Fórum Económico de Davos, documento anual de leitura
necessária.
Quadro 3: desigualdade global
Os números e dados falam por si só.
São informações alarmantes sobre a concentração de renda nas mãos de um número
insignificante de pessoas e, ao mesmo tempo, a geração de uma catástrofe
econômica, social e ambiental que recai sobre a imensa maioria da população
mundial. É possível perceber o crime da concentração de renda quando se observa
o valor de 18 trilhões de dólares para 3.000 bilionários, enquanto a Índia, um
país de mais de 1,4 bilhão de pessoas tem um PIB de 15 trilhões de dólares,
conforme apresentado no quadro 2 anterior.
No Brasil, a desigualdade também é
marcante, apesar de avanços em muitas políticas públicas. De acordo com a Oxfam
Brasil[6], em média, o rendimento
das pessoas brancas é mais de 70% superior à renda de pessoas negras. Os 4 dos
5 bilionários mais ricos aumentaram em 51% sua riqueza desde 2020; ao mesmo
tempo, 129 milhões de brasileiros ficaram mais pobres.
As cinco pessoas mais ricas do
Brasil, em 2025[7],
conforme listadas abaixo, concentram-se nos setores da tecnologia e dos bancos,
o que demostra o poder da financeirização da economia brasileira (Dowbor,
2017).
1. Eduardo
Luiz Saverin - Idade: 43 anos, naturalidade: São Paulo. Patrimônio líquido: R$
227 bi. Origem patrimonial: Facebook;
2. Vicky
Sarfati Safra e família - Idade: 73 anos, Origem: Grécia - naturalizada
brasileira. Patrimônio líquido: R$ 120,5 bi. Origem patrimonial: Banco Safra;
3. Jorge
Paulo Lemann - Idade: 85 anos, Naturalidade: Rio de Janeiro. Patrimônio
líquido: R$ 88 bi. Origem patrimonial: AB InBev, 3G Capital;
4. André
Santos Esteves - Idade: 57 anos, Naturalidade: Rio de Janeiro. Patrimônio
líquido: R$ 51 bi. Origem patrimonial: BTG Pactual;
5. Fernando
Roberto Moreira Salles - Idade: 79 anos, Naturalidade: Rio de Janeiro.
Patrimônio líquido: R$ 40,2 bi. Origem patrimonial: Itaú Unibanco, CBMM.
A situação brasileira se agrava e
se torna obscena pelo número expressivo de pessoas em trabalho precário e sem
carteira assinada, com quase 40 milhões de trabalhadores, além de um exército
de jovens Nem-Nem, entre os 15 e 29 anos, que nem estudam e nem trabalham, que
somam mais de 8 milhões.
De acordo com dados populacionais e
informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD
Contínua), 2025, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o
país soma uma população acima dos 213 milhões, contando com uma População em
Idade de trabalhar/Ativa (PIA) de174,1 milhões. No entanto, apenas 108,6
milhões fazem parte do mercado de trabalho como População Economicamente Ativa
(PEA), sendo: 102,3 milhões Pessoas Ocupadas, porém 63,6 milhões formais, com
carteira assinada, e 38,7 milhões informais, sem carteira assinada e sem
direitos trabalhistas, geralmente em trabalhos precários, além de 6,3 milhões
de Pessoas Desocupadas, que ainda procuram emprego.
O restante da população brasileira
está Fora da Força de Trabalho, os Inativos, que somam mais de 65 milhões,
incluindo estudantes, aposentados entre outros. Dentro desse número ainda encontram-se
os mais de 8 milhões de Nem-Nem, jovens desperdiçados e marginalizados pela
sociedade, disponíveis para os chefes do crime organizado e das milícias do
Estado paralelo.
Como
incluir na economia formal, com dignidade e justiça social, mais de 50 milhões
de brasileiros?
A questão que se coloca: como gerar
riqueza e desenvolver a ciência e a tecnologia para incluir no processo
produtivo e na proteção social, potencializar a criatividade e desenvolver o
país junto com os quase 40 milhões de trabalhadores precários, mais de 6
milhões de desempregados e mais de 8 milhões de jovens abandonados? Qual é a
estratégia e planejamento de país para se alcançar tal objetivo? Qual é a
estratégia da política de ciência e tecnologia do país que será preciso
desenvolver e implementar?
Com tamanha desigualdade, pode-se
dizer que a produção da riqueza e da pesquisa científica são dirigidas para
atender a interesses específicos e para manter a roda girando em direção à
concentração de renda e de capital para muito poucos, o que aprofunda o fosso
social. Essa situação leva o país a uma condição econômica insustentável, com
degradação social e ambiental. Dessa forma, é necessário repensar a atuação das
instituições nacionais e reafirmar o direito à cidadania para todos, como
desafio de um outro Brasil possível.
Entendendo
o modelo da ciência que predomina
O Triângulo de Sábato, quadro 4, é
um modelo de política científica e tecnológica desenvolvido na década de 1960
pelo físico argentino Jorge Sábato e pelo cientista político Natalio Botana (Neder
& Moraes, 2017, p.72). Ele descreve a articulação
necessária entre três vértices para garantir o desenvolvimento económico e a
inovação tecnológica, para aquela época. O esquema estabelece que, para que a
ciência e a tecnologia gerarem desenvolvimento, é preciso que haja uma
interação coordenada e dinâmica entre três entidades fundamentais, o que há
mais de 60 anos fazia sentido.
Quadro 4: Triângula de Sábato
Em 1990, o conceito foi rebatizado
como a Tríplice Hélice, por Henry Etzkowitz e Loet Leydesdorff. O esquema passa
a se referir ao mesmo modelo repaginado, agora focado na inovação, numa
perspectiva neoliberal. No entanto, esse esquema já não responde à realidade,
porque os interesses empresariais e corporativos dominam todo o espectro, os Estados
são mais fracos, muitas vezes não soberanos, e não planejam o desenvolvimento com
objetivos e metas claros, ao tempo em que as universidades encontram-se
bastante distantes das realidades sociais.
Um
contraponto
Torna-se imprescindível um novo
modelo de Ciência e Tecnologia para o desenvolvimento, com inclusão social e
produtiva, com geração de trabalho e renda para amplas massas trabalhadores,
com justiça climática e cuidado ambiental. Dessa forma, compartilho a ideia, junto
com diversos investigadores e cientistas brasileiros e sul-americanos, de que é
preciso outro vértice nesse esquema de Sábato – os Movimentos Sociais, conforme
propõe Dagnino, a fim de promover o desenvolvimento da Ciência e da Tecnologia
com e para a Sociedade, num movimento chamado Movimento CTS (Dagnino,
2014). Ver quadro 5.
Quadro 5: Quadrado de Dagnino:
Ciência, Tecnologia e Sociedade - Movimento CTS
Aqui, entende-se os Movimentos Sociais
como promotores do desenvolvimento local, com trabalho coletivo, solidariedade
e cooperativismo, por meio da economia solidária e popular e de tecnologias
sociais (Parreiras,
2007).
O chamado Movimento CTS pode ser
entendido pelo processo de construção do conhecimento – ciência – e pela
descoberta de soluções – tecnologia –, gerado pela academia em conjunto com
e para as populações – sociedade – que têm sabedorias e conhecimentos
tácitos e milenares, e que ficam à margem dos interesses hegemônicos do capital
(Neder,
2024).
No Brasil, há duas grandes
referências para o debate e construção do Movimento CTS: o professor Renato
Dagnino, da Unicamp, e o professor Ricardo Neder, da UnB, entre muitos outros
cientistas brasileiros e sul-americanos que têm o foco nos estudos e práticas
CTS.
No Brasil, esse movimento se
materializa com o processo que aconteceu nas universidades públicas, a partir
de 2003, com a criação de mais de 80 Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas
Populares (ITCP), com apoio do Programa Nacional de Incubadoras de Cooperativas
Populares (PRONINC) do Governo Federal. As ITCPs propõem um novo marco de
desenvolver CT, por meio da interação e aprendizagem comuns com os agentes
sociais, com a troca de saberes entre a academia e os conhecimentos tácitos e
saberes populares e comunitários.
Resultados
do Movimento CTS: ITCPs e Movimentos sociais
Os textos a seguir buscam retratar
uma dinâmica que se intensifica a partir dos anos 2000, com forte protagonismo
dos Movimentos Sociais, em interação com as universidades públicas, por meio
das ITCPs, com empresas, principalmente as públicas, e com os governos federal
e diversos governos estaduais e municipais, com o propósito de promover a
inclusão social e produtiva, bem como para a valorização de saberes locais e
tradicionais, junto com milhares de brasileiros que transformam a realidade de
seus territórios, por meio da economia solidária e das tecnologias sociais (Mello,
2018).
Diversas iniciativas fortaleceram o
movimento CTS, nos anos 2000, a exemplo do Banco de Tecnologias Sociais (BTS),
da Fundação Banco do Brasil, o que pode ser visto no portal https://transforma.fbb.org.br/, bem como a criação da Rede de
Tecnologias Sociais (RTS), com o envolvimento de empresas públicas federais,
centros e institutos de pesquisa e organizações não governamentais (Garcia,
2014).
O governo federal, em 2003, criou a
Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES), que teve um papel
determinante e que viabilizou investimentos para o financiamento de inúmeros
empreendimentos económicos e solidários (Singer,
2002). Diversas outras políticas públicas estimularam e
potencializaram essas iniciativas, a exemplo do Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que abriu editais específicos para
as iniciativas de pesquisa e extensão das ITCPs, em articulação com os movimentos
sociais e populares. Como resultado científico desse processo, será apresentado
um gráfico sobre a produção acadêmica, por meio de artigos referenciados pela
plataforma Scientific Electronic Library Online (SciELO).
Articulação
do Semiárido Brasileiro (ASA/Brasil)
Programa
1 milhão de cisternas (P1MC)
Água e
produção de alimentos
Historicamente, o semiárido
brasileiro foi marcado pelo abandono do Estado, sem políticas públicas
dirigidas aos mais pobres, o que gerava fome e sede. Para a falta de água, uma
solução batente simples foi desenvolvida pela comunidade e suas organizações locais,
buscando solucionar o prolema da falta de água para o consumo humano e para a produção
de alimentos. O histórico completo sobre essa Tecnologia Social das Cisternas
de Placas e posteriores desdobramentos do Programa 1 Milhão de Cisternas (P1MC)
podem ser acompanhados através do portal da organização social Articulação do
Semiárido Brasileiro (ASA/Brasil): https://asabrasil.org.br/projeto/p1mc/.
Fotografia 1: Cisterna de placas do
P1MC
A ASA reúne mais de 3000 movimentos
sociais, sindicatos, ONGs, associações, coletivos locais e regionais. A
organização surge em 1999 com o intuito de fortalecer a reivindicação por
soluções definitivas às dificuldades de abastecimento e acesso à água.
Desde 2003 o Programa Cisternas é
estabelecido como política pública, com o objetivo de promover o acesso à água
para consumo humano e produção de alimentos, com a implementação de tecnologias
sociais simples e de baixo custo, de acordo com o regulamento da Lei nº 12.873
de 2013.
Quadro 6: Produção científica sobre
o tema água e semiárido
Sobre as palavras-chave “água” e
“semiárido”, foi possível a geração do gráfico apresentado no quadro 6, por
meio de dados do portal SciELO, A produção científica gerou 562 artigos
científicos, entre os anos de 1996 e 2026, com ascensão do tema a partir do ano
2010.
Associação
Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (Ancat)
Trabalho
e renda e cuidado ambiental
Os trabalhadores organizados como
catadores de matérias recicláveis cumprem uma função impotente como agentes
ambientais, principalmente nos grandes centros urbanos, promovendo a coleta
seletiva e gerando trabalho e renda para milhares de famílias que dependem
desse primeiro elo da cadeia de produção e transformação de resíduos sólidos.
Fotografia 2: Movimento dos
Catadores de Materiais Recicláveis
O histórico de organização dos
trabalhadores catadores pode ser acompanhado pelo portal da Associação Nacional
de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (Ancat) https://ancat.org.br/. Atualmente, a Ancat conta com 512
cooperativas em rede de agentes ambientais, em todo o país, com quase 100 mil
catadores e catadoras de matérias recicláveis organizados.
Uma das conquistas mais importantes
desse movimento ocial foi estabelecer a
dispensa de licitação para a contratação de organizações de catadores e
catadoras, conforme apontado no artigo 75, inciso IV, alínea J, da Lei nº
14.133/2021, que autoriza a dispensa de licitação ao setor público para a
contratação de associações ou cooperativas para a coleta seletiva de resíduos
sólidos.
Quadro 7: Produção científica sobre
o tema catadores e resíduos sólidos
A produção científica sobre o tema
pode ser observada no quadro 7. Foram utilizadas as palavras-chave “catadores”
e “resíduo”, o que resultou em 89 artigos publicados entre os anos de 2005 e
2025.
Movimentos
Sociais Rurais da Agricultura Familiar
Trabalho
e renda e produção de alimentos
Segundo o Censo Agropecuário 2017 do
IBGE, a agricultura familiar brasileira abrange 3.897.408 estabelecimentos
rurais. São 77% dos estabelecimentos agrícolas do país, ocupando mais de 10
milhões de pessoas, responsáveis por parcela expressiva da oferta dos alimentos
básicos da mesa dos brasileiros. Os agricultores familiares respondem por 11%
da produção de arroz, 42% do feijão preto, 70% da mandioca, 71% do pimentão e
45% do tomate. Na pecuária, produzem 64% do leite de vaca do país e concentram
31% do rebanho bovino nacional, 51% dos suínos e 46% das galinhas[8].
Fotografia 3: Movimentos Sociais
Rurais da Agricultora Familiar
Os movimentos sociais rurais da
agricultura familiar, a exemplo de organizações nacionais como o Movimento dos
Trabalhadores Sem Terra (MST) e a União Nacional das Cooperativas da
Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes) entre outras, promovem a
mobilização e o engajamento de agricultores e agricultoras para a conquista de
direitos e de políticas públicas favoráveis às famílias do campo e de
assentadas da reforma agrária. Com essas lutas, o Estado brasileiro tem
ampliado o financiamento para esse segmento social por meio do Programa
Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Para o período de
2025/2026, serão investidos R$ 89 bilhões para a produção da agricultura
familiar.
Além do Pronaf, o Programa Nacional
de Alimentação Escolar (PNAE), que alimenta diariamente quase 40 milhões de
estudantes de escolas públicas, adquire alimentos da agricultura familiar, em pelo
menos 45% de todas as compras públicas. Da mesma forma, o Programa de Aquisição
de Alimentos, que distribui alimentos para estabelecimentos públicos e
comunitários, como hospitais, creches entre outros, adquire todos os produtos
alimentares diretamente de agricultores familiares.
Quadro 8: Produção científica sobre
o tema agricultura familiar
A produção científica sobre o tema,
apenas sobre a coleção de textos do Brasil, pode ser observada no quadro 8.
Foram utilizadas as palavras-chave “agricultura” e “familiar”, o que resultou
em 702 artigos publicados entre os anos de 1981 e 2026, com destaque para o
aumento de publicações a partir dos anos 2006.
Rede
Cerrado
Preservação
do conhecimento e dos povos tracionais
O Cerrado brasileiro é o berço das
águas de diversos rios vitais para milhões de brasileiros, como o São
Francisco, Paraná, Tocantins entre muitos outros. No entanto, esse bioma
estratégico corre o risco de exaustão pelo uso indevido e criminoso do
agronegócio. Além da diversidade ambiental, o Cerrado é base de vida e cultura
de milhares de povos quilombolas, indígenas e comunidades tradicionais
agrícolas que carregam conhecimentos e saberes ancestrais, que também correm o
risco de extinção.
Fotografia 4: Preservação das
culturas e dos saberes tradicionais
Criada em 1992, a Rede
Cerrado, https://redecerrado.org.br/, tem como principal objetivo
organizar a luta contínua pela conservação do bioma e a defesa de seus povos e
comunidades tradicionais, com a missão de promover a justiça social e a
sustentabilidade ambiental. Atualmente, a Rede conta com mais de 300
organizações de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, além
de organizações socioambientalistas e instituições acadêmicas.
Um dos principais projetos que a
Rede Cerrado implementa é o projeto “Redes para a Conservação: combate ao
desmatamento por meio de redes locais”, em conjunto com a Cáritas Alemanha, e
cooperação com a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA/Brasil), a Rede Ecovida
e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e parceria com o
Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) do governo brasileiro.
Quadro 9: Produção científica sobre
o tema cerrado e preservação
A produção científica sobre o tema
pode ser observada no quadro 9. Foram utilizadas as palavras-chave “cerrado” e “preservação”,
o que resultou em 97 artigos publicados entre os anos de 1999 e 2026.
Outro mundo é possível, outro
Brasil é possível
O Fórum Social Mundial e suas
diversas edições foram e são ainda esforços de movimentos sociais
internacionais, organizações não governamentais, acadêmicos e coletivos
diversos que buscam alternativas ao modelo neoliberal e ao poder destrutivo do
capital (Santos,
2004). Nasceu e se ampliou nos anos 2000, como uma
alternativa direta ao Fórum Econômico Mundial, que ocorre em Davos, na Suíça.
As dinâmicas e a correlação de forças dos movimentos mudam, às vezes estão mais
fortes, outras mais fracas. Assim é o movimento constante da luta de classes. As
sementes de um outro mundo estão plantadas, o que estimula as lutas vindouras.
Fotografia 4: Mobilização do Fórum
Social Mundial
No Brasil, o caminho percorrido
pelos diferentes movimentos sociais e pelo movimento CTS, conforme os exemplos citados
acima, permitiu a conquista de direitos, acessos, dignidade e justiça antes
negados. A luta desses brasileiros que antes viviam marginalizados e
invisibilizados, com o apoio de pesquisadores e cientistas sociais, segue não
só para gerar trabalho e renda, gera riquezas e preserva as culturas, o
ambiente e os saberes populares, mas também segue consciente do desafio de
promover um desenvolvimento mais sustentável, para a construção de um país
justo, solidário e soberano.
Referências:
Dagnino, R. (2014). Tecnologia Social contribuições
conceituais e metodológicas. Insular/Eduepb.
Dowbor, L. (2017). a Era Do Capital Improdutivo. Outras
Palavras/Autonomia Literária.
Garcia, S. G. (2014). A tecnologia social como alternativa para a
reorientação da economia. Estudos Avancados, 28(82), 251–275.
https://doi.org/10.1590/S0103-40142014000300015
Mello, C. J. (2018). Trabalho, tecnologia e solidariedade. Insular.
Neder, R. T. (2024). Politica cientifica e tecnologica para
experiêecias contra-hegemônicas na universidade: uma perspectiva cts ciência,
tecnologia, sociedade. Lutas Anticapital/Eduepb.
Neder, R. T., & Moraes, R. de A. (2017). Para onde vai a política
de ciência & tecnologia no Brasil. Navegando Publicações.
Parreiras, L. E. (2007). Negócios Solidários em Cadeias Produtivas:
Protagonismo Coletivo e Desenvovlimento Sustentável. IPEA/Anpec/FBB.
Santos, B. de S. (2004). O Fórum Social Mundial: Manual de Uso.
CES/UC.
Singer, P. (2002). Introdução à economia solidária. Editora
Fundação Perseu Abramo.
[1] O presente texto é o conteúdo base
da apresentação realizada pelo autor na International School of Methods
(ISM), em 26/07/2026, promovido pelo Instituto Brasileiro de Ensino,
Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), em Brasília (DF).
[2] Fonte: https://revistapesquisa.fapesp.br/publicacoes-cientificas-por-paises-contagem-por-autoria-e-por-artigo/. Acesso em: 20/07/2026.
[3] Fonte: https://www.worldometers.info/pt/pib/pib-por-pais/?source=imf®ion=worldwide&year=2024&metric=ppp. Acesso em: 20/07/2026.
[4] Fonte: https://www.scilit.com/rankings/countries?year=2025&page=1&rows=20&search=&sort=total_num&direction=desc. Acesso em: 20/07/2026.
[5] Fonte: https://www.oxfam.org.br/davos2026-resistindo-ao-dominio-dos-ricos/. Acesso em: 20/07/2026.
[6] Fonte: https://www.oxfam.org.br/desigualdade-s-a/. Acesso em: 20/07/2026.
[7] Fonte: https://forbes.com.br/listas/bilionarios-brasileiros-2025/. Acesso em: 20/07/2026.
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